quarta-feira, 22 de maio de 2013


Ministra-chefe da Secom defende regulamentação dos meios de comunicação

“Temos de regulamentar e elaborar uma legislação de proteção ao cidadão que se sentir atingido na sua honra e dignidade por acusações da mídia”, afirma Helena Chagas à Meio & Mensagem
Marcello Casal Jr./ABr
Helena Chagas diz que a própria Constituição impõe a regulação da mídia, mas impede qualquer controle sobre o conteúdo
Em entrevista publicada na nova edição da revista Meio & Mensagem, veículo especializado dirigido ao mercado publicitário, a ministra-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Helena Chagas, defendeu a regulamentação dos meios de comunicação, tema que provocou grande polêmica durante o governo do ex-presidente Lula.
“A Constituição prevê que a mídia seja regulamentada, esse debate é inexorável e deve acompanhar a evolução tecnológica, mas começou um pouco enviesado, por conta do acirramento político, em um ano eleitoral”, disse Helena, referindo-se ao debate deflagrado em 2010 pelo anúncio – feito por seu antecessor, Franklin Martins – de que o governo pretendia propor  um marco legal para o funcionamento dos meios de comunicação.
Na época, Franklin anunciou ter concluído um anteprojeto de lei disciplinando o tema, cujo conteúdo ele jamais divulgou por entender que caberia ao governo então já eleito dar ao assunto o tratamento que lhe parecesse mais adequado. O fato levou veículos da comunicação e políticos oposicionistas a acusarem o PT e o governo de pretenderem na verdade amordaçar a imprensa. Acusação semelhante havia sido feita, anos antes, quando o então porta-voz de Lula, Ricardo Kotscho, encampou uma antiga reivindicação dos sindicatos dos jornalistas de criar um Conselho Federal de Jornalismo, com competência inclusive para analisar o comportamento ético de profissionais e empresas da área.
Durante o atual governo, as críticas mudaram de lado. Militantes do PT e de outros partidos de esquerda, além de vários estudiosos da comunicação, passaram a questionar Dilma por não levar adiante a proposta de Franklin Martins – entregue ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo – e de ser muito generosa no repasse de verbas de publicidade para os grandes veículos, em especial a TV Globo.
Sem controle de conteúdo
Na entrevista à Meio & Mensagem, Helena Chagas trata dos dois assuntos. No primeiro caso, afirmou:
“A imprensa é livre, não há controle de conteúdo, a própria Constituição proíbe isso. Mas precisamos regular os meios de comunicação, até por uma necessidade de acompanhar as mudanças que o tempo trouxe. (…) ‘Controle social da mídia’ virou uma espécie de clichê, uma expressão maldita. Tem gente que ouve e sai correndo. Não se pode ter controle de conteúdo. Isso não existe. Mas temos de regulamentar e elaborar uma legislação de proteção ao cidadão que se sentir atingido na sua honra e dignidade por acusações da mídia. Essa discussão mistura tudo na mesma panela e estigmatiza o tema. É preciso tirar o estigma e discutir de maneira serena, tranquila, com o tempo que demandar”.
No segundo caso, ela declarou: “Todos acham que estão recebendo aquém do que mereceriam e é normal que o governo ouça muita reclamação e que haja pressões de todos os lados e tipos”. Segundo a ministra, a distribuição de publicidade leva em conta, de um lado, “um critério correto, baseado audiência, na mídia técnica”. Do outro, o desejo de regionalizar os investimentos “porque respeitamos o brasileiro, o cidadão que não mora nos grandes centros e não tem acesso às maiores redes e veículos”.
O maior anunciante do Brasil
Foi a regionalização, conforme as explicações da ministra, que provocou nos últimos anos um extraordinário aumento do número de veículos contemplados com propaganda federal. Em 2000, eles não passavam de 500. Hoje, há mais de 8 mil veículos cadastrados na Secom.
Com uma verba de publicidade que alcançou no ano passado R$ 1,79 bilhão, segundo dados do Instituto de Acompanhamento da Publicidade (IAP) citados pela revista, o governo federal é atualmente o maior anunciante do país.
Para Helena Chagas, “regionalização” não deve ser vista como sinônimo de “pulverização”, e sim de “democratização do acesso às mensagens do governo, à comunicação”. Ela acrescentou que tem sido bastante procurada por representantes da “mídia alternativa na internet, que reivindicam alguma forma do governo estimular o crescimento deles”. No entanto, a ministra  acredita que a solução para tais segmentos não terá que “necessariamente sair da verba publicitária, investimento que aplicamos com o objetivo de obter resultados, não uma doação”. Mas, sim, de possíveis “incentivos, como o financiamento do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]
João Santana e TV Brasil
Na entrevista, Helena Chagas falou ainda sobre um personagem que raramente aparece em manifestações oficiais de autoridades do governo, o marqueteiro João Santana:
“O João Santana é o marqueteiro do PT, foi responsável pela campanha da reeleição do presidente Lula, pela campanha da presidente Dilma. E será, muito provavelmente, responsável pelas próximas campanhas, além de ter uma relação muito boa conosco no governo, com a presidente Dilma. Temos um diálogo permanente”.
Ela enfatizou que Santana “não tem nenhum contrato com o governo”.
A ministra disse ainda que a TV Brasil, ora sob a tutela da Secom, “está engatinhando” e poderá ganhar mais autonomia no futuro, de maneira a agilizar seus mecanismos de gestão, no momento limitados pela Lei 8.666, que rege as licitações públicas, e pelos procedimentos burocráticos impostos aos órgãos da administração direta. Questionada sobre a possibilidade de se cobrar impostos para financiar a emissora, a exemplo do que acontece com o canal público britânico BBC, Helena demonstrou cautela: “É uma questão que deve ser pensada com muita calma para que a gente não prejudique o trabalho que já foi feito”.


CCJ proíbe vereadores de aumentarem os próprios salários

PEC determina que vereadores só poderiam votar o subsídio dos parlamentares que atuariam no próximo mandato – e antes das eleições municipais
Antonio Augusto/Câmara dos Deputados
Após aprovação pela CCJ, PEC passa por uma comissão especial para tratar do mérito
A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou nesta quarta-feira (22) uma proposta de emenda à Constituição que determina que os salários dos vereadores brasileiros devem ser fixados antes das eleições municipais. Ou seja, os vereadores estariam impedidos de votar o próprio aumento de salário no mandato em que atuam.
Conforme explica o autor da proposta, deputado Jorge Silva (PDT-ES), a Constituição “não prevê expressamente que o subsídio seja fixado antes das eleições”. “Relegar a discussão em torno do valor do subsídio dos vereadores para após as eleições municipais dá azo a toda sorte de conchavos políticos, os quais, se não ferem o princípio da moralidade, acabam por ferir o princípio da impessoalidade”, analisa o parlamentar, complementando que diversos tribunais do país têm considerado inconstitucionais aumentos salariais aprovados por vereadores na mesma legislatura.
A proposta ainda precisa ser analisada por uma comissão antes de seguir ao plenário da Câmara, onde terá de ser analisada em dois turnos. Depois disso, será apreciada pelos senadores.
Mais sobre vereadores

Dois deputados estão afastados da ALPB por motivos de saúde

Na manhã desta quarta-feira, Vitoriano foi submetido a uma cirurgia para retirada de pedras nos rins
Legislativo | Em 22/05/13 às 11h10, atualizado em 22/05/13 às 11h27 | Por Naira Di Lorenzo
Divulgação 12
Frei Anastácio está internado em João Pessoa
Os deputados estaduais Frei Anastácio (PT) e Vituriano de Abreu (PSC) estão afastados das atividades parlamentares por problemas de saúde. Na manhã desta quarta-feira (22), Vituriano foi submetido a uma cirurgia para retirada de pedras nos rins. O deputado está internado no Hospital da Unimed, em João Pessoa, e passa bem.
Já o deputado Frei Anastácio segue internado no Hospital Samaritano, na Capital, onde está tratando de uma hérnia de disco. O parlamentar descartou a possibilidade de ser transferido para o Hospital Sírio Libanês em São Paulo. “Essa foi uma sugestão da Presidência da Assembleia Legislativa, mas caso seja necessário farei a cirurgia aqui”.
Frei Anastácio está sendo acompanhado por um ortopedista e neurologista. Segundo ele, as medicações que estão sendo aplicadas é para conter a inflamação na coluna. Ainda segundo o deputado, esta semana, os médicos irão definir se ele será submetido a uma cirurgia, ou a uma infiltração.
O petista descartou tirar licença da Assembleia Legislativa e se manterá afastado dos trabalhados na Cassa Epitácio Pessoa pelo tempo que os médicos determinarem. Segundo ele, já foi apresentado a ALPB um atestado de oito dias comprovando seu estado de saúde. “Quero me recuperar e tocar o barco, quero voltar trabalhar”, disse.
O deputado Vituriano de Abreu ficará internado no hospital nesta quarta-feira, mas deve receber alta ainda está semana. Segundo a mulher do parlamentar, Vituriano deve voltar ao trabalho já na próxima semana.

segunda-feira, 20 de maio de 2013


CMJP e TRE-PB firmam parceria para agilizar recadastramento biométrico

A Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) recebeu, nesta segunda-feira (20), o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), Marcos Cavalcanti de Albuquerque. A Casa Napoleão Laureano concederá o Título de Cidadão Pessoense ao desembargador em cerimônia prevista para o dia 27 do próximo mês, às 16h. Além disso, a CMJP firmou parceria com o TRE-PB a fim de agilizar o cadastramento biométrico de João Pessoa através de ações na TV Câmara e de uma possível instalação de ponto de cadastramento biométrico nas dependências da Casa.

João Pessoa possui 480 mil eleitores segundo o TRE-PB, e, destes, aproximadamente 22 mil se cadastraram pela biometria (4,58%), exigência obrigatória para as próximas eleições na cidadel. "A meta do TRE-PB é que todos os eleitores da Capital estejam biometrizados até o final deste ano", informou Marcos Cavancanti. Ele explicou que tem interesse em firmar um convênio com a CMJP para que a Casa se torne um ponto de recadastramento biométrico de eleitores, assim como aconteceu em outras casas legislativas no Estado e em repartições de prefeituras.
"Colocaremos à disposição do TRE-PB a CMJP e também a TV Câmara, para que possamos divulgar e levar mais informações aos cidadãos sobre a importância do cadastramento biométrico", reforçou o presidente da Câmara, Durval Ferreira (PP). Ele ainda destacou que marcará uma data para uma visita ao TRE-PB com o objetivo de discutir como a CMJP poderá aprimorar as ações propostas na parceria e assinar um convênio entre a Casa e o órgão. A CMJP poderá disponibilizar servidores da Casa, que serão treinados para realizar nas dependências da CMJP o recadastramento de eleitores de João Pessoa. "Com isso, poderemos ajudar a diminuir as filas dentro do TRE-PB", ressaltou Durval Ferreira.
Também estiveram presentes na reunião o vereador propositor da honraria ao presidente do TRE-PB, Fernando Milanez (PMDB), além dos vereadores Bira (PSB), Benilton Lucena (PT), Zezinho Botafogo (PSB), o procurador Antônio Paulo Rolim e a diretora geral da CMJP, Vaneide Araújo.

CMJP outorga Título de Cidadão Pessoense ao desembargador Marcos Cavalcanti
Na ocasião, o vereador Fernando Milanez mostrou, na presença de seus pares, o Decreto Legislativo que foi aprovado na CMJP outorgando o Título de Cidadão Pessoense ao desembargador Marcos Cavalcanti. "Ele é um cidadão importante não só para a Paraíba, mas pela sua luta na Justiça no cenário nacional. Ele pratica e simboliza a Justiça que todos nós almejamos, de forma limpa e que preza pelo respeito, itens que nos guiam para o caminho certo. Esse título vem em boa hora, e atesto que já é tarde o reconhecimento. O título também representa o engrandecimento de ter uma figura como Marcos Cavancanti na história do poder público de João Pessoa", frisou Fernando Milanez.
O vereador Bira destacou que a parceria entre o TRE-PB e a CMJP contribui para a transparência e a agilidade nas eleições. "Agora vamos avançar mais ainda. Além de termos no Brasil, com a urna eletrônica, um processo eleitoral dos mais transparentes e modernos do mundo, poderemos contribuir, com a biometria, para que seja um dos mais rápidos também", destacou.
Resultado das eleições em 40 minutos após votação encerrada
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) planeja que até 2018 todo o Brasil realize eleição biometrizada. "Sergipe e Alagoas já saíram na frente, e agora eu assumo esse desafio na Paraíba, com João Pessoa e Campina Grande, que devem estar até o final deste ano com todos os seus eleitores biometrizados. Com isso, não vai ser mais preciso perder tempo procurando o nome do eleitor num caderno com 500 a 600 nomes na hora de votar. Com a impressão digital, a urna é liberada e diminuem-se as filas, ocorrendo um processo mais rápido e ágil. Assim, o resultado das eleições poderá sair entre 40 e 50 minutos após encerrada a votação", adiantou o presidente do TRE-PB, Marcos Cavancanti



Barbosa diz que país tem 'partidos de 




mentirinha' e critica Congresso



Segundo presidente do STF, Legislativo é 'dominado' pelo Executivo.
Ele defendeu voto distrital, no qual mais votado de cada distrito é eleito.

Mariana OliveiraDo G1, em Brasília
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Joaquim Barbosa participa de evento na Semana Jurídica do Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesp) (Foto: Agência Brasil)Joaquim Barbosa participa de evento na Semana
Jurídica do Instituto de Educação Superior de
Brasília (Iesp) (Foto: Agência Brasil)
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, criticou nesta segunda-feira (20) a representação partidária no país. Segundo ele, os partidos são de "mentirinha". Ele também afirmou que atualmente o Congresso é "inteiramente dominado" pelo Executivo.
Barbosa deu as declarações durante palestra na abertura de Semana Jurídica do Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb).
Ao ser perguntado por aluno sobre críticas de interferência do Judiciário no Legislativo, Barbosa disse que partidos "querem o poder pelo poder".
Nós não nos identificamos com os partidos que nos representam no Congresso, a não ser em casos excepcionais"
Joaquim Barbosa
"Nós temos partidos de mentirinha. Nós não nos identificamos com os partidos que nos representam no Congresso, a não ser em casos excepcionais. Eu diria que o grosso dos brasileiros não vê consistência ideológica e programática em nenhum dos partidos. E nem pouco seus partidos e os seus líderes partidários têm interesse em ter consistência programática ou ideológica. Querem o poder pelo poder."
Para o presidente do STF, a falta de representação partidária faz o Congresso ter "ineficiência pela sua incapacidade de deliberar".
Ele completou, ainda, que outro problema do Congresso é o fato de ser submetido ao Executivo. "O problema crucial brasileiro, a debilidade mais grave do Congresso brasileiro é que ele é inteiramente dominado pelo Poder Executivo. [...] Temos um órgão de representação que não exerce em sua plenitude o poder que a Constituição lhe atribui, que é o poder de legislar."
Joaquim Barbosa disse que uma saída para a falta de representatividade no Congresso seria a adoção do voto distrital, sistema no qual o país é dividido em distritos e é eleito o mais votado daquele distrito. Atualmente, a eleição para a Câmara é proporcional e leva em conta os votos recebidos pelo partido.
"Passados dois anos da eleição ninguém sabe mais em quem votou. Isso vem do sistema proporcional. A solução seria a adoção do voto distrital para a Câmara dos Deputados. [...] Hoje temos um Congresso dividido em interesses setorizados. Há uma bancada evangélica, uma do setor agrário, outra dos bancos. Mas as pessoas não sabem isso, porque essa representatividade não é clara."
PEC 33
O presidente do Supremo comentou ainda a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 33, que foi aprovada em uma comissão da Câmara, mas teve a tramitação paralisada após críticas. A proposta determina que decisões do Supremo sejam submetidas à análise do Congresso.

Para ele, a proposta é uma "reação" à decisões do Congresso. "São, sim, reações a decisões do STF. Se levadas adiante essas tentativas, nós teríamos destruído a Constituição brasileira, todo mecanismo de controle de constitucional que o Supremo exerce sobre as leis. Significaria o fim da Constituição de 88."